FM Tactics: 8 questões sobre terceirização respondidas pelo especialista Lívio Giosa

Lívio Giosa, Presidente do CENAM (Centro Nacional de Modernização), palestrou no FM Tactics sobre o pertinente tema para os Gestores de Facilities

A ABRAFAC convidou, recentemente, para o FM Tactics o introdutor do tema terceirização no Brasil, Lívio Giosa, Presidente do CENAM (Centro Nacional de Modernização).

Segundo uma pesquisa de avaliação respondida pelos participantes após o evento, a nota para a questão “Você recomendaria este evento para um amigo ou colega?” foi de 9,5, refletindo no alto nível da palestra. Veja como foi o evento aqui.

Autor do livro “Terceirização: Uma Abordagem Estratégica” (Editora Thomson/Meca, 8ª edição), Giosa apresentou novidades sobre o assunto na perspectiva do tema “Terceirização: impactos da Nova Lei para Gestores de Facilities”.

Após o evento online, Lívio respondeu algumas perguntas realizadas pelos participantes do debate. Confira:

Participante: Como Gestor de Facilities, tenho um funcionário apenas e mais de 100 colaboradores de apoio no escritório. Percebemos que sempre há uma diferença, principalmente no custo. Volte e meia, temos um sentimento de “exploração” quando se fala sobre isso. Todavia, sabemos que não é verdade. Mas algumas empresas podem de fato explorar o trabalho de um terceirizado? Esse medo é real?

Lívio Giosa: Essa situação acontece no mundo inteiro. Existe um modelo de contratação diferenciado em que uma empresa que tem uma enorme quantidade de funcionários, está dentro de um contexto de custo. Ao contratar funcionários terceirizados, existe um outro modelo de custos. Diante desse outro modelo, ela não possui tantos impostos e essa contratação está relacionada a outro setor e, por isso, pode oferecer outro tipo de prestação de serviços com funcionários de carga salarial diferente.

O segundo ponto é que as empresas que prestam serviços estão vinculadas através de seus sindicados, que são diferentes dos sindicados que aquela empresa que contratou estava. Para um sindicado, já existe um padrão de salário, porém, o terceirizado não se encaixa nesse mesmo sindicado, possuindo outra forma de contratação, com outros valores e benefícios.

Temos uma pluralidade de sindicados que acabam refletindo em diferentes tipos contratações. Isso não significa que tudo está se precarizando. O mercado se regula assim. Em outros países também é assim. Temos muita atividade do tipo em Portugal e, por exemplo, as referências são as mesmas daqui. Isso depende muito do modelo de negócios da prestadora de serviços também.

Pela nova lei, cabe às empresas acompanharem de perto as funções. A lei diz que os terceirizados precisam ter a mesma condição que os funcionários da empresa, como alimentação, instalações sanitárias e ambulatoriais, segurança do trabalho, entre outros.

Participante: Atuo em uma empresa prestadora de serviços que possui a certificação ISO e essa qualificação de fato pesa na hora em que vamos para um certame. Porém, nossos preços estão sendo superados. Seria o caso de trocar os trabalhadores para terceirizados?

Lívio Giosa: Não. Veja melhor sua metodologia, seu sistema de custeio e capacite cada vez mais sua equipe.

Participante: Com essa lei de terceirização sabemos que a entrega com qualidade deve ser grande, porém com custos mais baixos. Isso não faz com que os salários sejam banalizados?

Lívio Giosa: Não funciona bem assim. Desde 1992, o sistema de serviços foi se estabelecendo, porém a qualificação nem tanto. Quando se contrata o serviço terceirizado e se tem problemas, o maior está relacionado às pessoas. Por outro lado, o contratante, por exemplo, também tem medo de perder funcionários terceirizados pela falta de vínculo. Por isso, é necessário ter uma metodologia definida e o terceirizado buscar certificação. Só assim podemos dar uma qualificação nobre ao setor de serviço como um todo no Brasil e dar mais propriedades intelectuais às empresas que se enquadram sabiamente dentro dessa dimensão.

Dessa forma, evoluiremos muito na visão da competitividade. Vale ressaltar, que o Brasil vai ter um boom de crescimento em 2019. Grandes empresas internacionais virão ao Brasil e vão se aliar com empresas de prestação de serviços, porém, se não houver parceiros adequados, as empresas vão trazer players de fora, o que não é o ideal.

Participante: O trabalhador terceirizado ter os mesmos benefícios que os contratados via CLT, inclusive uso do ambulatório, não caracteriza vínculo com a empresa contratante e, num eventual processo, o terceiro não poderia pedir todos direitos que os com CLT recebem? Isso seria especifico para atividade fim? Ou também para atividade meio, exemplo limpeza?

Lívio Giosa: Para qualquer atividade. E não caracteriza vínculo já que consta de parágrafo específico na nova Lei.

Participante: Quais são os principais métodos da avaliação de terceiros?

Lívio Giosa: Começa com a questão de indicadores. Conheço várias empresas privadas e públicas que criaram seus próprios indicadores. A empresa contratada passa por uma espécie de ajuste de conduta prévio. Isso é importante para que se reconheça que a contratante tenha esses indicadores e, a partir daí, seja desenvolvido um contrato de prestação de serviço. Se a terceirizada não se enquadrar no indicador, começa a ser “multada”.

Cada vez mais, as empresas contratantes estão se especializando em criar indicadores. Empresas de limpeza e segurança, muitas vezes, possuem um escopo que serve como parâmetro e que podem ser avaliados. Quando uma empresa cria esse indicador ela precisa passar esses critérios de indicadores para a contratada.

Participante: Existem alguns estudos que apontam que substituir uma equipe terceirizada por uma orgânica no curto prazo traz uma economia significativa. Porém, a meio e longo prazo nem tanto. Agora, com as novas leis trabalhistas, isso tende a diminuir?
Lívio Giosa: Sim. O ideal é organizar bem o processo de contratação da empresa terceirizada e controlar adequadamente o Contrato.

Participante: Temos um mercado extremamente pulverizado de empresas terceirizadas. Como ficará isso?

Lívio Giosa: Temos uma situação no Brasil que, nos últimos três anos, com a crise, muitos desempregados acabaram abrindo suas próprias organizações e começaram a oferecer seus serviços ao mercado. Quando se tem um momento assim com muitas demissões, ocorre também um aumento do empreendedorismo.

Dessa forma, existe mais competitividade. Por isso, estabelecer escopos para entrega de serviço é ideal para reconhecer dentro do mercado empresas habilitadas à cumprir com aquilo que você determinou.

Participante: A Justiça do Trabalho já está demonstrando se adequar às mudanças na legislação da terceirização?

Lívio Giosa: Sim. São inúmeros exemplos. Os Tribunais estão seguindo as novas Leis.

Desafios Trazidos por D&I (Diversidade e Inclusão)— Uma Perspectiva no Ambiente Shell

Não perca o próximo FM Tactics! Inúmeras são as ações que empresas ao redor do mundo vêm desenvolvendo para poderem trabalhar Diversidade & Inclusão em seus ambientes corporativos. Mesmo assim, a pergunta “como transformar a teoria em prática?” ainda é uma constante.

Como seguir adiante? Quais os desafios? Quais os possíveis caminhos? Qual os impactos para a área de Facilities Management? Nesse contexto, vamos discutir os caminhos trilhados pela Shell: seus avanços e sua curva de aprendizado.

Não deixe de participar e inscreva-se através do link: Inscrição para o Evento

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