FM Tatics trouxe (importante) debate sobre Sistemas de Segurança contra incêndio

No final, foram respondidas importantes questões dos participantes

Foi realizado recentemente, em forma de webinar, o primeiro FM Tatics, com o tema “Sistemas de segurança contra incêndio — Uma Abordagem Sistêmica”. A engenheira civil Irimar Palombo, atuante na área de facilities há 20 anos, coordenadora de Infraestrutura do Sesc SP e presidente do conselho da ABRAFAC, apresentou a reavaliação do sistema de segurança do Sesc e o que está sendo feito para aperfeiçoá-lo. Ao lado de Pedro Finoti, também Engenheiro Civil e que atua há dois anos no Sesc SP, Irimar, ao fim da palestra, respondeu algumas perguntas. Mas antes, veja um resumo do que foi falado.

Fundado em 1946, o Sesc (Serviço Social do Comércio) é conhecido pelo seu trabalho social e tem o objetivo de promover o bem-estar social, desenvolvimento cultural e qualidade de vida para os trabalhadores do comércio e serviços, incluindo suas famílias e a comunidade em geral. Contando com 36 unidades operacionais, somente no estado de São Paulo, os edifícios do Sesc são conhecidos por seus projetos arquitetônicas arrojados, que oferecem teatros, piscinas, restaurantes, salas de ginástica, consultórios médicos, quadras esportivas, espaços de lazer e diversas iniciativas sustentáveis, entre outros.

Segundo Irimar, a segurança sempre foi uma premissa nos projetos de edifícios do Sesc. Tanto a segurança patrimonial quanto a segurança pessoal dos frequentadores e funcionários. Os vários sistemas de detecção e combate a incêndios sempre foram projetados por profissionais renomados, atendendo normas e legislações, com manutenções e testes cuidadosamente elaborados e executados. Todo o complexo sistema começa pela elaboração do projeto, passa pela construção e operação e termina na manutenção — realizadas por uma mesma equipe.

De acordo com a engenheira, em 2012, antes do ocorrido no desastre em Santa Maria — RS, na boate Kiss, foi reavaliado todo o sistema de segurança das edificações do Sesc, com o objetivo de encontrar falhas. Foram feitas vistorias próprias, que logo se intensificaram após o acidente no RS.

Segundo o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), entre os 3.301 extintores vistoriados, 35,3% deles não atenderam aos requisitos mínimos. Além disso, 84% da amostra não extinguiram o fogo. O que causou uma grande surpresa, já que o sistema sempre foi aprovado pelos órgãos regulamentadores de segurança e pelo corpo de bombeiros. Problemas foram percebidos também em mangueiras e na sinalização de emergência. 

As ações institucionais do Sesc foram as seguintes: 

  • Revisões de rotina e de procedimentos;
  • Atualização e revisão de projetos; 
  • Implantação e/ou adequação de sistemas;
  • Campanha de conscientização para conservação dos sistemas;
  • Disseminação dos problemas com os projetistas.

As questões também foram levadas ao IPEM, INMETRO, Corpo de Bombeiros e para o Ministério Público, no intuito de abrir um debate sobre essas falhas de segurança, apesar dos avais de instituições oficiais.

Encerrada a palestra, Irimar e Pedro responderam os participantes. Veja algumas dúvidas e as respectivas respostas:

Participante: Os testes hidrostáticos realizados nas mangueiras deram problemas por que as mangueiras eram velhas e isso as comprometeu quando aplicada a pressão ou eram mangueiras novas?

R: As mangueiras submetidas aos testes hidrostáticos e que apresentaram problemas foram tanto mangueiras novas quanto mangueiras antigas. O fato é que todas as mangueiras são submetidas a ensaios anuais e possuem relatórios aprovando-as. Entretanto, quando o IPT submeteu-as a novos ensaios as mesmas não apresentaram o desempenho indicado em seus relatórios.

Participante: Foram realizados testes nos chuveiros? Qual foi o resultado?

R: Também foram encontrados problemas nos chuveiros automáticos, principalmente, na etapa de projeto e dimensionamento do sistema. Todavia, os problemas encontrados não impactam o funcionamento do sistema, e são factíveis de correção pela própria instituição, diferente, por exemplo, do sistema de extintores que dependemos anualmente de mão de obra terceirizada.

Participante: ­Existem diferenças de legislação entre os estados, no que se refere as exigências do Corpo de Bombeiros. Quais os piores casos e se vocês veem possibilidade de ter uma regra única no país?

R: Seguimos as normatizações do estado de SP e temos conhecimento que muitos estados adotam essa normatização, por ser mais restritiva e detalhada. Seria um ótimo avanço se o país adotasse um código único, e esse é um caminho árduo que o SESC acredita estar auxiliando com esse projeto.

Participante: ­O SESC tem prestado esse tipo de serviço de vistoria ou fizeram para fins de pesquisa?­­

R: O SESC contratou o IPT para efetuar as vistorias, apenas com o intuito de avaliar e melhorar a qualidade de suas edificações. Por se tornar um trabalho de tamanha importância, tornou-se um case de sucesso para divulgação à sociedade.

Participante: ­Entendo que vocês não trabalharão mais com os prestadores cujos serviços foram reprovados pelo IPT. Já conseguiram homologar novos prestadores? Existe um planejamento para uma segunda vistoria surpresa a fim de também avaliar estes novos prestadores?­

R: O SESC mantém um sistema cadastral de fornecedores que controla toda a documentação pertinente. Ainda, no ato da contratação, nossas Unidades se certificam de que o fornecedor é homologado pelo INMETRO para tal serviço. Entretanto, apesar de todo o esforço, foram encontrados problemas na ponta final do processo. Dessa forma, o SESC planeja substituir todos os extintores por extintores do tipo ABC com garantia de 5 anos, fugindo das ações de recargas anuais.

­Participante: Os sistemas são integrados nas unidades do SESC, ou seja, central de alarme com catracas de acesso em uma situação de emergência?­

R: Não possuímos catracas ou qualquer outro tipo de obstáculo nas rotas de fuga de nossas edificações, ainda assim nas novas Unidades todos os sistemas são integrados. Já nas Unidades mais antigas, o Sesc planeja atualizar e/ou implantar sistemas mais modernos para que essa integração passe a ocorrer.

Participante: ­Na questão da recarga dos extintores a medida foi apenas trocar por ABC, ou, por exemplo, é feito um teste por amostragem no extintor?­

R: O SESC planeja fazer a substituição de todos os seus extintores por extintores do tipo ABC, com garantia de 5 anos, evitando assim as ações de recarga e manutenção, dados os problemas encontrados. No recebimento dos novos equipamentos, pretendemos submetê-los a e
nsaios amostrais com o intuito de comprovar a qualidade do equipamento adquirido.

Participante: Quando você fala de um teste logo após os extintores terem vindo da manutenção, tem uma empresa específica que o faça ou você mesmo é quem faz?­

R: Contratamos o IPT por ser um laboratório credenciado no INMETRO com especialistas no assunto. Todos os ensaios e testes nos extintores foram realizados por ele em seus laboratórios.

Participante: Foi realizada também a avaliação das empresas disponíveis no mercado melhor avaliadas a nível Nacional. Há como listá-las e indicá-las?­

R: Nosso trabalho foi exclusivamente no SESC SP.

Participante: ­Como é a composição da Brigada de Emergência nas ações orientativas e apoio emergencial no SESC?­

R: A Brigada de Emergência é constituída em todas as Unidades SESC, conforme a legislação vigente. Ela atua principalmente nas ações preventivas e educativas, junto aos funcionários e frequentadores das Unidades.

Participante: ­Excelente trabalho. Mas pelo que entendo os extintores atuais utilizados pelo SESC ainda devem ter problemas, certo?

R: O SESC mantém um sistema cadastral de fornecedores que controla toda a documentação pertinente. Ainda, no ato da contratação, nossas Unidades se certificam de que o fornecedor é homologado pelo INMETRO para tal serviço. Entretanto, apesar de todo o esforço foram encontrados problemas na ponta final do processo. Dessa forma, o SESC planeja substituir todos os extintores por extintores do tipo ABC com garantia de 5 anos, evitando assim as ações de recarga e manutenção.

Participante: ­Foram tomadas providências junto à(s) empresa(s) que fizeram a manutenção dos extintores e mangueiras?­

R: Conforme foi dito durante a apresentação, todas as empresas envolvidas foram notificadas e tiveram um prazo para apresentar suas considerações. Apenas uma se mostrou preocupada para se reunir conosco e entender melhor o problema. A partir desse momento disponibilizamos as informações ao INMETRO e ao IPEM.

Para fazer download da apresentação da Irimar e do Pedro, clique aqui (disponível somente para associados).

Ivan Monteiro

Colunista do blog da ABRAFAC, Ivan Monteiro é jornalista com Pós-Graduação em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais.
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