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Tecnologia e modelo de gestão em condomínios comerciais

O artigo trata do uso de tecnologias em condomínios comerciais associado a um modelo de gestão, tendo a prospectiva estratégica como uma ferramenta de auxílio na construção de cenários desejáveis ao empreendimento, devido as mudanças no ambiente dos negócios, que vão em direção da digitalização.

Albélio Dias

Vivemos uma época de grandes mudanças, tendo a tecnologia como pano de fundo. As mudanças estão afetando o mercado de trabalho de forma rápida, onde muitas atividades laborais estão sendo substituídas por máquinas “inteligentes”. As previsões são preocupantes, principalmente para os países que não tem um sistema educacional de qualidade. O uso da inteligência artificial é cada vez mais presente em várias atividades humanas, o que possibilita ganhos de produtividade excepcionais. A internet das coisas (IoT), por exemplo, vem sendo cada vez mais utilizada como sistema de monitoramento em tempo real.

Mas, o foco deste artigo é fazer uma análise do uso das tecnologias em ambientes condominiais. Os empreendimentos mais modernos demandam muito mais tecnologia em seu gerenciamento do que de anos atrás. Isso tem relação direta com os custos de operação e sustentabilidade, mas tecnologia e sustentabilidade têm relações diretas e complementares.

As células fotovoltaicas é um bom exemplo em que o desenvolvimento da tecnologia possibilitou redução significativamente do valor pago pelo consumo de energia elétrica, o que implica diretamente nos custos operacionais, e com redução no uso de recursos naturais. Outro exemplo é o uso de sensores para monitoramento de equipamentos, como quadros elétricos, que possibilita traçar curvas de desempenho e prever possíveis reparos depois de determinado tempo de uso do equipamento. Isso tem impacto significativo no sistema de manutenção preventiva e é muito importante, pois possibilita a equipe de manutenção, desenvolver melhor as atividades de planejamento das operações de seu escopo de trabalho.

Os exemplos são vários, mas o mais importante é a identificação pelo síndico das reais necessidades do empreendimento face as tecnologias, como também é necessário uma equipe com conhecimentos tecnológicos, pois ajuda muito no processo de escolha das tecnologias mais adequada. Entretanto, pode acontecer de as tecnologias não existirem no sentido de atender uma demanda específica, e precisará ser desenvolvida, por isso é fundamental que, quando da elaboração do orçamento do empreendimento, contemplar uma verba para a tecnologia, de forma a trazer benefícios num espaço de tempo, que justifique o investimento. Ou seja, o cálculo do ROI deve ser feito. O uso de tecnologias deve trazer mais eficiência nos processos de gestão, com redução de custos operacionais, e devem ser comunicados de forma a que se perceba a importâncias destas no empreendimento.

Nesse contexto da tecnologia aplicada nos ambientes condominiais, exige-se uma nova forma de administrar estes empreendimentos, em que as administradoras e os síndicos deverão ter uma visão mais moderna de gestão com uso de tecnologias. As administradoras deverão desenvolver plataformas digitais que possibilitem uma gestão mais eficaz e uma interação mais próxima entre condôminos, prestadores de serviços e usuários de uma forma geral. O síndico deverá ter uma formação mais próxima de um gestor de facilities, com uma visão estratégica ampla de tecnologias e negócios.

Outro ponto importante, relacionado aos empreendimentos comerciais, é começar a pensar o futuro do empreendimento, ou seja, como ele será daqui há alguns anos? Os processos atuais serão suficientes no futuro ou devo melhorá-los? Esses são alguns questionamentos que devem estar na mente do síndico e, nesse contexto, é necessário ir além do planejamento estratégico tradicional e começar a trabalhar com o que os futuristas chamam de prospectiva estratégica. O termo pode parecer um pouco estranho, mas significa construções de cenários de longo prazo que permitam reduzir as incertezas e identificar rupturas de tendência, induzindo medidas proativas a serem adotadas no curto e no médio prazos para a construção do melhor futuro possível. Em outras palavras, é se projetar no futuro e analisar se as ferramentas do presente serviram e quais medidas deverão ser tomadas para posicionar o empreendimento.

Como se percebe, a construção de cenários não é uma tarefa fácil, visto que estamos num momento de grandes transformações tecnológicas e comportamentais. Mas, existem várias metodologias para a construção de cenários e cabe ao síndico estudá-las e escolher a melhor metodologia ou uma combinação de metodologias que melhor reflita o cenário desejado para o empreendimento.

Existem várias tecnologias no mercado e geralmente são associadas as empresas das quais conhecemos, como os grandes bancos, varejistas e indústrias dos mais diversos segmentos. A questão fundamental é com relação a leitura que se faz dessas tecnologias na ótica dos empreendimentos comerciais, que são cada vez mais demandados por seus usuários de serviços mais eficientes que contribuam para a produtividade dos negócios.

Em parágrafo anterior, mencionamos a palavra sustentabilidade e sua relação com a tecnologia. Um olhar mais aprimorado sobre a sustentabilidade em empreendimentos comerciais, quando certificados, contribuem de forma significativa para a produtividade das empresas nele instaladas. Uma das preocupações de empreendimentos sustentáveis e certificados é com a qualidade de vida das pessoas, visto que há um constante monitoramento de indicadores ajustados a medir a qualidade do ar, do ruído, da temperatura dentre outros.

Também é importante destacar a mudança de comportamento das novas gerações que são essencialmente tecnológicas e com uma visão de serviços compartilhados. Isso terá impacto não só no mundo dos negócios, mas também nos empreendimentos comerciais. Poder-se-á trabalhar em qualquer ambiente que ofereça condições para tais. Já estamos na era das empresas digitais, como Amazon, Uber, dentre outras que demandam espaços dotados com infraestrutura tecnológica.

Finalizando, prever o futuro é muito arriscado, mas já se tem fortes sinais de tendências com relação a tecnologia e os possíveis impactos na forma como vivemos, nos relacionamos e como fazemos negócios. Entender esses sinais e as tecnologias é um importante passo para planejar os empreendimentos. Para isso, é preciso estar aberto ao novo, abandonar algumas premissas que eram importantes, mas que hoje não são mais, ou seja, devemos estar constantemente estudando. Usando uma linguagem da computação, hoje estamos sempre na versão beta, o que significa que estamos sempre nos aprimorando por meio de novos conhecimentos. Isso tudo refletirá nos modelos gestão que vier a ser adotado pelo síndico.


Albélio Dias é mestre em Administração de Empresa, pós-graduação em Matemática e Educação tecnológica, graduação em matemática. Professor de programas em MBA de várias Instituições de Ensino Superior em Belo Horizonte. Cursos abertos na HSM University, estudante de futurismo na W Future School. Membro fundador da REFC (Rede de Profissionais de Facilities), Síndico Profissional e Diretor executivo da AgereSíndico.


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