O ambiente de negócios no Brasil e as oportunidades para a cadeia de serviços e facilities foi o tema do terceiro painel, na quarta-feira, 2 de outubro, último dia do Congresso & Expo ABRAFAC 2019, promovido pela Associação Brasileira de Facilities – ABRAFAC no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo.

Mediado pelo presidente da ABRAFAC, Thiago Santana, o painel proporcionou um debate sobre o ambiente de negócios no Brasil para facility management, abordando diversos aspectos, como o cenário político, investimento, leis trabalhistas, educação e as oportunidades existentes no setor. Participaram Raphael Fraga, da ITA Capital, Sandra Gioffi, da área de RH da GSC Integradora de Saúde, e Julio Pina, da Gulf.

Em geral, os participantes mostram-se otimistas com o mercado brasileiro, principalmente para facilities e serviços. Contudo, também é consenso que é preciso manter-se em constante evolução.

Na visão de Raphael Fraga, o país estava na direção errada. “Apesar de termos acertado a direção agora, isso leva tempo. Segurança jurídica também é muito importante, apesar de termos rentabilidade, para atrairmos investidores.

Sobre investimentos, Raphael afirmou que o Brasil ainda é um bom mercado em termos de rentabilidade, mas fazer o dever de casa é estrutural, porque não seria esperado o Brasil ter altas taxas de juros novamente, por exemplo.

Contudo, com as reformas previstas, é possível que empréstimos para investimento em novos negócios sejam facilitados, não sendo mais cobrados pelo CPF, causando dívidas para pessoas físicas que querem empreender.

Sobre o evento, disse: “É sempre importante debater o setor de facilities. Foi um prazer debater com outros painelistas. O Brasil está na direção certa, existem oportunidades interessantes, gente trabalhadora e é um lugar atrativo para investidores. O setor de facilities precisa de uma legislação mais flexível sob a ótica trabalhista. Precisa de mais tecnologia para atrair o capital estrangeiro. O mercado interno tem espaço para crescimento com players dentro e fora do Brasil. O evento está muito bem organizado, conheci o Luciano Brunherotto, ex presidente da Abrafac, em um congresso em Portugal. O atual presidente Thiago Santana foi muito solicito, fez o convite e planejou muito o evento. Os debates foram de alto nível sobre negócios e perspectivas. Gostaria de ser lembrado para palestrar na próxima edição”.

Sandra Gioffi vê no Brasil um protagonismo. “Independentemente da conjuntura, que às vezes pode nos fazer desanimar, somos protagonistas. Existem várias startups fazendo grandes transformações e a gente vê o empreendedor investindo muito pela crença e pela responsabilidade de fazer uma transformação no país, apesar de não ter dado tempo ainda de fazer grandes transformações”.

Afirmou que foi muito rico participar do painel. “Pude interagir com vários profissionais e líderes de mercado. É sempre bom ter um espaço para discussão, poder comparar o que está ouvindo e vivendo no dia a dia. A experiência foi muito agradável e espero ter contribuído. O setor precisa se transformar, usar a tecnologia e focar no elemento humano para se diferenciar”.

Para Julio Pina, o Brasil é um mercado imprescindível no mundo. “As pessoas querem muito vir para cá e é uma questão de tempo. Os fundamentos são excepcionais aqui no país. É imprescindível pelas riquezas naturais, mas não só isso. É pela relevância econômica e potencial de desenvolvimento humano no país. Nosso problema maior é a mentalidade do empresário brasileiro, que é muito aquém da mentalidade dos países de economia mais avançada. O Brasil só tem salvação se tiver estímulo do governo ao empreendedorismo”.

Sobre o evento, pontuou: “É um momento para refletir e discutir angústias, convicções e dúvidas. Esse compartilhamento dessas emoções é fundamental para todo mundo ver que vivemos no mesmo contexto. Precisamos viver em um ambiente produtivo, saudável para o surgimento de ideias comuns, coletivas e setoriais para desenvolvimento da área. O Brasil é um país muito viável com fundamentos muito bons. Há um otimismo para nós debatedores. Precisamos ter paciência porque a situação não era boa na questão de contas públicas. Não é em oito ou nove meses que se soluciona problemas construídos nos últimos 15 anos. Estou muito otimista com o Brasil”.