Limite de oito andares do novo Plano Diretor de SP poderá encarecer prédios

Na última semana do mês de março, depois de mais de 40 audiências públicas, o relator do Plano Diretor Estratégico de São Paulo, o vereador petista Nabil Bonduki, apresentou mudanças ao projeto elaborado pela Prefeitura que pretende estabelecer como será o desenvolvimento da capital nos próximos quinze anos.

 

A proposta da lei que substituirá o plano de 2003 será analisada por várias comissões, levada para aprovação do plenário da Câmara dos Vereadores e, só depois, retornará ao prefeito Fernando Haddad.

 

Um dos pontos que tem preocupado as construtoras e outros representantes do mercado imobiliário é o que estabelece limite de oito andares – no máximo térreo e mais oito pavimentos, algo em torno de 25 metros de altura – para os prédios nos miolos dos bairros, ou seja, fora das áreas de corredores de transporte público, visando evitar que “as regiões ainda horizontais enfrentem uma verticalização desordenada”, segundo a proposta.

 

Enquanto Bonduki afirma que um eventual impacto inflacionário no preço dos apartamentos seria muito pequeno, o mercado acredita que, se a lei entrar em vigor, vai sim causar alta nos custos da construção e encarecer os lançamentos na cidade de São Paulo.

 

O vice-presidente de Legislação Urbana do Secovi-SP, Ricardo Yazbek, explicou, em matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo, que uma obra mais baixa tem menor escala de produção e, consequentemente, um menor aproveitamento do terreno e que o preço final das unidades também seria maior devido ao repasse desses custos. “Não nos parece razoável que, numa penada, haja determinação de limitar a altura para 88% da cidade”, afirmou, citando cálculos da entidade.

Já o relator argumenta que a proposta de restringir a altura está inserida na lógica de adensar as regiões dos corredores, facilitando a mobilidade e atraindo as pessoas que usam transporte público. “É como a Faria Lima no trecho dos Jardins, que fica no meio de áreas baixas e ali você tem uma área verticalizada”, explicou. Outra visão de Bonduki que não é compartilhada pelo mercado é a de que o desestímulo às construções nos miolos dos bairros poderá levar a uma queda no preço dos terrenos nesses locais.