Um dos destaques do primeiro dia do 14º Congresso & Expo ABRAFAC, promovido pela Associação Brasileira de Facilities – ABRAFAC nos dias 1 e 2 de outubro, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, foi o painel “Sustentabilidade e engajamento social”. Pesquisas demonstram que a sustentabilidade e o engajamento social nas empresas já são realidade entre os consumidores. Os palestrantes discutiram sobre como esse tema está impactando o dia-a-dia de Facility Management e como podemos atuar proativamente nesse sentido. Participaram: Fernando Beltrame, da Eccaplan Consultoria em Sustentabilidade (mediador), Ana Cristina Pereira da Silva, da Fundação Pró-Sangue, Marcio Manoel, do Centro Empresarial Mário Henrique Simonsen, e Le Andrade, da Plant Fazendas Urbanas.

Ana Cristina Pereira da Silva: Fundação Pró-Sangue

A Pró-Sangue é uma instituição pública, ligada à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e ao Hospital das Clínicas. Segundo a fundação, apenas 1,9% da população brasileira doa sangue anualmente no Brasil, por questões culturais, porque o país não tem guerras e catástrofes.

Uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas, porque é dividida em quatro hemocomponentes.

A palestra tratou do sangue seguro, tema que se evidenciou em 1980, quando explodiu a preocupação sobre a segurança nas doações, por conta de doenças como AIDS e proliferação de males transmissíveis via transfusão sanguínea.

Na triagem clínica de doadores, assim como em todo o ciclo do sangue, a Fundação Pró-Sangue obedece a normas nacionais e internacionais. O alto rigor no cumprimento dessas normas tem como objetivo principal oferecer proteção ao receptor e ao doador de sangue.

“Se o objetivo da doação de sangue é realizar um teste para HIV ou hepatite, por exemplo, é uma ação arriscada a quem pode receber. A orientação é buscar um CTA (Centros de Testagem e Aconselhamento) em vez de realizar a doação”, alertou a palestrante Ana Cristina Pereira da Silva.

Para Ana Cristina, o evento pode estimular o interesse das pessoas pela doação de sangue. “Às vezes, as pessoas têm medo de doar por falta de informação e o que não falta é segurança para o doador. Queremos alcançar o público para que faça doação de sangue com maior frequência anual, uma vez que sempre há necessidade. Abastecemos mais de 100 hospitais, além do complexo hospitalar aqui (Hospital das Clínicas). O intuito é tocar os corações e trazer cada vez mais doadores. Quem não puder doar, pode ajudar no esclarecimento de dúvidas e na divulgação do nosso trabalho. O homem pode doar até 4 vezes por ano e a mulher até 3. É importante que faça ao menos uma vez por ano para ajudar a salvar vidas. Queremos tocar os corações já que o público precisa de um incentivo para a doação de sangue”.

Marcio Manoel – Centro Empresarial Mário Henrique Simonsen

O palestrante apresentou o CEMHS (Centro Empresarial Mário Henrique Simonsen), um empreendimento com 12% de área construída, oito blocos, 107 empresas, sete restaurantes, um centro de eventos e 25 geradores de resíduos de serviço de saúde.

Os restaurantes produzem 85% dos resíduos orgânicos e extraordinários, semelhantes aos domiciliares. Em um ano, são 235 toneladas destinadas à CTR Ciclus Ambiental.

Por sua vez, são 32,6 mil litros de resíduos de serviços de saúde por ano destinados à Resíduo All Esterilizações, onde passam pelo processo de autoclave.

“Em 2014, eram 150 toneladas de resíduos homogêneos, em 126 caçambas a um custo de R$ 196,00 por operação. Após o processo de compostagem ser implantado (seleção dos resíduos gerados na manutenção do jardim), o volume foi reduzido para 52 toneladas e foi possível economizar R$ 3 mil ao ano”, informou Marcio Manoel.

Para Marcio Manoel, a experiência de participar do Congresso & Expo ABRAFAC foi “muito eficiente e agradável”. “É a primeira vez que falo para um público tão seleto e com pessoas que já têm projetos de sustentabilidade. Assim como nos comunicamos nas redes sociais, as pessoas podem conhecer, usar o projeto como referência e dar sua contribuição para o meio ambiente. Falei sobre processos da sustentabilidade e compostagem que fazemos com resíduos de jardins. Temos a parceria com a Nespresso, para a coletagem das cápsulas de café, e enviamos para o processo de logística reversa. E ainda temos uma horta. O adubo que é gerado no processo de compostagem é utilizado na horta para a melhoria da alimentação dos nossos colaboradores. Geramos um alimento sem nenhum agrotóxico”, completou.

Le Andrade – Plant Fazendas Urbanas

A última palestra do painel falou do negócio que busca ressignificar as relações entre as pessoas, com alimentos e com a terra. Os clientes são da área coorporativa, que recebem hortas, espaços verdes e outros serviços oferecidos pela Plant Fazendas Urbanas no sentido de levar a natureza para empresas da “cidade grande”.

A atuação para fornecer o serviço é feita com pessoas em vulnerabilidade social, como as cooperativas de catadores de material reciclável, população que atua com agricultura familiar, mulheres que trabalham nas hortas, imigrantes, entre outros grupos.

As hortas que são levadas aos espaços corporativos servem como fonte de alimento para os funcionários, que também são conscientizados sobre a importância de uma alimentação saudável.

“Também temos como objetivo garantir que as empresas entendam esse processo de serem responsáveis pelo resíduo que geram, terem consciência de que a gente pode se alimentar melhor e ainda não deixar sobras no prato”, disse Le Andrade.

“É importante que o evento ajude o público a entender que não devemos só montar relatórios que não saem do papel. A gente pode fazer de verdade, colocar a mão na massa ou no meu caso colocar a mão na terra”, frisou Le Andrade.

Para o mediador Fernando Beltrame foi uma ótima experiência. “As pessoas participaram bastante, os painéis foram descontraídos. Foi uma grande oportunidade de trazer um tema que é muito falado. Mostramos exemplos práticos para a realidade das empresas de facility. É simples e difícil ao mesmo tempo. Depende do engajamento de todos, podemos trabalhar com ações simples, como por exemplo, a destinação dos resíduos. O mesmo que é gasto para fazer a ação errada pode-se gastar para fazer a ação correta com as lixeiras específicas. Há soluções simples e de fácil implementação”, explicou.

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